"Acredito
que só o empenho da sociedade será capaz de mudar o retrato
social do Brasil".
Pedro Fabri - em 2002, quando presidia o CRC/SP
Com o slogan
"Uma ação que vale um milhão", ainda
em 2002, o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São
Paulo (CRC/SP), em parceira com a Federação das Indústrias
de São Paulo (FIESP) e a Federação das Associações
Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), lançou uma
cartilha com o intuito de divulgar e informar contadores e empresários
sobre o uso das leis de incentivo (www.crcsp.org.br/campanha).
Na época, houve uma forte divulgação e uma série
de palestras sobre o assunto, mas ainda foi insuficiente para mostrar
a importância de direcionar os impostos para projetos que transformam
a vida de pessoas, muitas até sem perspectivas de futuro. Uma
pesquisa feita em junho deste ano, pelo Conselho Regional de Contabilidade
do Rio Grande do Sul (CRC/RS), apontou que 45% dos contadores não
têm informações sobre as leis de incentivo. Essa
é uma realidade vivida aqui também, em nossa região,
e na maioria dos estados.Tenho visitado alguns escritórios de
contabilidade e também estou em contato com contadores que têm
demonstrado essa falta de informação sobre o assunto.
Uma parte não é só a falta de informação,
mas também o desinteresse por "achar" que todo processo
é burocrático e trabalhoso. Muito pelo contrário,
é simples e entendo que deva ser prazeroso também, pelo
fato de saber que você, contador, teve participação
em projetos que promovem a responsabilidade social. Para as empresas
investidoras, os benefícios também são muitos,
já citados aqui em artigos anteriores.
Nesse mercado competitivo, ser diferente, criativo e eficiente permite
uma fidelização e também atrai novos clientes.
Além de ser um profissional dinâmico e eficiente, sempre
atento às legislações vigentes, o contador também
precisa ter a competência para apresentar soluções
contábeis que ofereçam benefícios a seus clientes.
Uma dessas ações pode ser informá-los sobre as
leis de incentivo que permitem dedução de impostos
(IRRF, ISSQN, ICMS, IPTU etc.) e agregam valor à marca do cliente.
Felizmente, os números têm mostrado que existe uma tendência
de crescimento do investimento por parte de empresas em projetos culturais
e em iniciativas socialmente responsáveis. De acordo com a Pesquisa
Nacional sobre Responsabilidade Social nas Empresas, divulgada pelo
Instituto ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e
Marketing do Brasil) de Responsabilidade Social, as vantagens e benefícios
desse tipo de patrocínio vem sendo vistas até como estratégia
empresarial. Mas o que vem a ser a responsabilidade social? Segundo
a ADVB, "é a forma ética e responsável que
a empresa adota para desenvolver todas as suas ações,
suas políticas, suas práticas, suas atitudes, tanto com
a comunidade, quanto com o seu corpo funcional".
Hoje os consumidores brasileiros querem algo a mais, além de
produtos de qualidade.Querem ver o envolvimento da empresa com a comunidade,
por meio de ações que promovam o bem-estar. Além
dos consumidores, o mercado também começa a exigir no
fechamento de negócios que empresas apresentem o balanço
social (norma SA 8000), que mostra o quê tem sido feito
em benefício dos públicos interno (funcionários)
e externo (clientes, comunidade etc.).
Acima dos benefícios fiscais e comerciais que o patrocinador
venha a ter, o investimento, principalmente em cultura, permite a valorização
dos nossos artistas, da nossa arte, do nosso Brasil. Ainda é
muito forte em nosso meio valorizarmos o que vem de fora, em detrimento
do que temos aqui no nosso país, ou ao nosso lado. Esse processo
de mudança de valores tem que partir de nós mesmos. Vocês,
contador e empresário, informem-se sobre ações
culturais e sociais que acontecem em seu município e vejam como
participar. Acredito que não irão se arrepender. Super
abraço!
Ana
Paula Pontes