O profissionalismo na Cultura

"Quem tem sucesso é quem trabalha com a cultura seriamente e profissionalmente"
Grego Navarro, produtora cultural

Oi Pessoal! Comento neste artigo sobre a profissionalização do setor cultural e no próximo vou responder algumas questões recebidas sobre Lei Rouanet e projetos culturais. O assunto de hoje é interessante e vem sendo cada vez mais discutido no país, não só pela classe artística, mas também por empresas e pelo chamado terceiro setor.

Neste último evento que participei em São Paulo, no Senac, sobre Gestão Cultural, um dos temas discutidos foi "Formação inicial e reconhecimento de competência dos profissionais na área de gestão e produção cultural". A palestrante é da Espanha, a produtora Grego Navarro, que procurou chamar a atenção de todos para a necessidade da formação e capacitação do profissional que trabalha no segmento cultural, tanto do setor público, quanto privado, ligados ou não a instituições. Que fique bem claro que não estamos falando do artista em si, mas sim de todos aqueles que estão ao seu redor, trabalhando para que uma exposição, ou um espetáculo de teatro, ou um musical aconteça com êxito, seguindo um planejamento e um orçamento adequados. A função do artista é "fazer arte" e não cuidar de detalhes de planejamento e execução. Ele pode sim opinar, sugerir, mas não parar de criar para "fazer acontecer". Cabe ao artista, dentro de todo esse processo, a função de desenvolver seu talento.

No evento, um dos palestrantes, o produtor Luiz Nogueira, disse da dificuldade que teve em encontrar um profissional que desse a ele todo o suporte técnico para a montagem de uma exposição. Segundo Nogueira, é fácil encontrar no mercado aqueles que dão jeito pra tudo, sabem fazer de tudo um pouco, mas que não apresentam um resultado final satisfatório. "Para trabalhar com produção cultural tem que ser profissional. Você pode até improvisar para resolver problemas inesperados, mas dar um jeitinho não cabe na produção cultural", fez questão de frisar o produtor.

Mas como podemos nos capacitar, com qualidade? Por enquanto, cursos de graduação e especialização ainda são poucos, mas a tendência é crescer, já que o mercado cultural vem numa crescente, com um aumento dos investimentos em cultura por parte de empresas e instituições. Por enquanto, podemos nos capacitar participando de palestras, seminários, fóruns e intercâmbios. Neste último evento, uma rede foi criada entre os participantes para discutir a produção cultural on-line. O SEBRAE/SP também possui uma Rede de Agentes Culturais (RAC) que une agentes de todo o estado de São Paulo, com encontros mensais em sua sede. Aqui na nossa região acontece, a partir de amanhã (23/9), o 2º Fórum Cultural da RMC, em Santa Bárbara d'Oeste, abordando temas diversos.

Essa preocupação com a capacitação do gestor cultural e com a qualidade dos serviços prestados faz-se necessária, pois queremos cada vez mais aplaudir iniciativas culturais bem realizadas. Um evento bem feito, bem planejado, bem realizado, com certeza, será sempre lembrado. Evento bem realizado gera credibilidade, item essencial para manter-se em um mercado tão competitivo.

A Cultura é um bem incomensurável, que tem que ser tratado com responsabilidade. É um segmento que gera desenvolvimento, emprego, receita, entretenimento, lazer e que por estas e muitas outras razões não pode ser tratado de qualquer jeito. Pensemos nisso!

Ana Paula Pontes