Captar recursos para a Cultura não é fácil

Investir em Cultura é investir num Brasil melhor!

Olá! Tenho recebido e-mails de artistas e gestores culturais com dificuldades na captação de recursos. De fato, a captação de recursos tem sido uma das partes mais delicadas de qualquer projeto cultural. Alguns e-mails que recebi, a informação era sempre a mesma, de que o projeto já estava aprovado pelo MinC (Ministério da Cultura), aguardando recursos para ser executado. E artistas desesperados, por não saberem como sair em busca desses recursos.

Primeiro ponto: o artista sabe fazer arte! Formatação do projeto, captação, prestação de contas é papel do gestor e/ou produtor cultural. Outra falha que tenho visto muito: todo projeto cultural dispõe de 20% para ser gasto com mídia, mas por desconhecerem esse fator, muitos ignoram, fazem o projeto e esquecem da divulgação e distribuição do produto cultural. Quando vão procurar os potenciais patrocinadores, muitos querem saber dos benefícios e onde vão aparecer. E daí tudo se complica. O que oferecer, já que não foi colocado nada no projeto? Como produtora cultural procuro sempre atuar em parceria com uma agência de publicidade que tem a capacitação necessária para saber expor a marca. Como disse em um dos artigos, a empresa não quer apenas ser vista, ela quer ser aplaudida também. Outra dica, antes de procurar o empresário, você precisa saber se o seu projeto interessa àquela empresa; se o produto cultural trará benefícios àquela marca; se o público alvo do evento tem a ver com o público interno e/ou externo da empresa. Você também tem que saber avaliar o quanto pedir, de acordo com o porte da empresa. Se o seu projeto tiver um custo muito alto, o ideal é dividi-lo em cotas. É bom também sempre fazer um contato telefônico ou pessoal. Só depois, se a pessoa pedir, você pode enviar um e-mail com informações do seu projeto cultural.

Essas são apenas algumas dicas para sair em busca de patrocínio, mas para isso deve haver também um preparo dos empresários para saber entender o quanto é bom investir em cultura, com ou sem leis de incentivo. Tenho visto que ainda falta muita informação. Muitos empresários, gerentes e diretores de marketing desconhecem a Lei Rouanet (8313/91 - lei federal de incentivo à cultura, que oferece a dedução do valor investido no Imposto de Renda devido), e as leis municipais de apoio à cultura. Em Americana existe a Lei Municipal e ela oferece a dedução do ISSQN.

No Brasil, menos de 6% das empresas com potencial para investir m Cultura têm essa atitude. Segundo o consultor jurídico do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), Eduardo Szazi, que fez a pesquisa, o desconhecimento é a principal razão de não haver esse investimento por meio da Lei Rouanet. Essa é uma grande oportunidade do empresário direcionar os recursos públicos para projetos culturais, muitos de inclusão social, que além de trazer benefícios para a comunidade, têm um ganho ainda maior para a empresa, com a valorização e a diferenciação da marca, importantíssimos para uma posição estável da empresa nesse nosso mercado tão competitivo.

Dados levantados em 2003 aqui na nossa região (Delegacia Regional da Receita Federal de Campinas) mostram que foram arrecadados R$ 562 milhões de imposto de renda pessoa jurídica. Se você calcular que 4% poderiam ter sido destinados para investimento em Lei Rouanet, teríamos cerca de R$ 20 milhões disponíveis para aplicar em projetos culturais e que foram desperdiçados por falta de conhecimento. Vocês já imaginaram quantas ONGs e artistas poderiam ser beneficiados com esses recursos? Tenho tido experiência de empresas que investiram pela primeira vez em projetos com lei Rouanet e que estão satisfeitas com o resultado. O ideal é que as empresas façam o planejamento estratégico, ou seja, já façam uma estimativa de quanto devem recolher, coloque no planejamento anual e comecem a trabalhar com produtores e artistas locais a melhor forma de utilizar esses recursos.

Acredito que conseguiremos mudar essa realidade e aumentar o investimento em cultura em nosso país. No início do ano, o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Sérgio Xavier, esteve nos Estados Unidos reunido com empresários americanos e brasileiros para discutir formas de estimular a produção cultural e também fazer com que o produto cultural brasileiro chegue nos países da América do Norte, principalmente nos EUA, que movimentam cerca de US$ 700 bilhões somente na esfera cultural. Segundo Xavier, o mercado de cultura no mundo movimenta em torno de US$ 1,3 trilhão, dos quais 50% são controlados pelos EUA. E o Brasil? O secretário disse que o Brasil não chega a movimentar nem 0,5% deste mercado mundial. Triste né? Com o potencial que temos, sendo considerado hoje o "país da moda"..... Mas temos condição de alterar esse número e vamos avançar! Sempre digo que investir em Cultura é investir num Brasil melhor!

Até a próxima!

Ana Paula Pontes