Oi
pessoal! Sempre me empolgo e escrevo muito. Tentarei ser breve, embora
o tema mereça ser muito discutido: cinema nacional. Não
sou especialista no assunto, mas gosto muito de cinema, principalmente
das produções nacionais. Vemos agora a estréia
do filme "Dois filhos de Francisco", um investimento de R$
10 milhões, incluindo uma divulgação em massa,
com grande expectativa de bater recordes de público. Torço
mesmo para que seja sucesso e que depois dele venham outros, muitos
outros.
Depois
de enfrentar momentos difíceis, principalmente na era Collor,
o cinema nacional voltou a ser apreciado, ser destaque, graças
às boas produções como "Carlota Joaquina"
e "O Quatrilho". Depois vieram muitos outros como "Olga",
"Lisbela e o Prisioneiro", "O Homem que copiava",
"Carandiru", "Cidade de Deus", "Contra Todos",
"O Casamento de Romeu e Julieta", "Cazuza" e "Meu
tio matou um cara". Em 2003 foram lançados 29 filmes nacionais
no circuito de exibição, aglomerando aproximadamente 22
milhões de espectadores e gerando uma receita de R$ 50 milhões.
Se compararmos com 1992, veremos que houve um grande crescimento, já
que naquele ano foram lançados apenas três filmes, vistos
por pouco mais de 36 mil pessoas.
Essa marca
já foi melhor e não precisamos revirar o baú para
encontrar. Em 1978, foram lançados 81 filmes, com um público
de 62 milhões de espectadores, sendo considerado o ano auge do
cinema nacional. Em 1982, mais 80 filmes e cerca de 46 milhões
de ingressos vendidos. Acredito muito que atingiremos novamente recordes
de público, embora ainda seja grande o número de pessoas
que fazem parte dos "sem tela". Dados do Ministério
da Cultura apontam que 92% dos brasileiros não têm acesso
ao cinema; 93% das cidades brasileiras não possuem salas de cinema.
Outro fator muito discutido e considerável também é
o valor alto dos ingressos e o trabalho ainda vago de formação
de público. Uma pesquisa da Unesco, feita em parceria com o MEC,
em 2004, para apresentar um retrato atual dos professores brasileiros
do ensino fundamental e médio, revela que 20% dos professores
nunca foram ao cinema.
O Ministério
da Cultura, mesmo com uma verba reduzida e o contingenciamento dos recursos,
tem investido em programas que visam o incremento da produção
independente e a valorização do cinema nacional. Um dos
programas que merecem destaque é o "Revelando os Brasis",
que incentiva a produção audiovisual em pequenos municípios
com menos de 20 mil habitantes. O governo também abriu, por meio
do BNDES, um financiamento para abertura de novas salas de cinema. Temos
ainda em fase inicial o programa "Pontos de Cultura", que
tem como meta a inclusão digital em comunidades carentes, além
de disponibilizar o acesso a produções de rádio
e TV.
Iniciativas
como o programa "Revelando os Brasis" mostram que não
precisamos de "milhões" para fazer uma produção.
No 33º Festival de Gramado, que terminou no final de semana passado,
foi lançado pelo produtor Domingos Oliveira o movimento BOAA
- Baixo Orçamento e Alto Astral -, para mostrar que muita coisa
boa pode ser produzida com um investimento reduzido, sendo bem aplicado
e planejado.
Li dias
atrás na Revista de Cinema que organizadores de festivais internacionais
estão elogiando as produções do Brasil, principalmente
os profissionais envolvidos. Diretores e atores são convidados
para participar de produções fora do país. Animadores
brasileiros são chamados para participar de filmes consagrados.
Pouca gente sabe que foi um carioca, Carlos Saldanha, que co-dirigiu
os filmes "A Era do Gelo" e "Robôs". Lúcia
Modesto foi a responsável pelo desenvolvimento, aplicação
e manutenção dos personagens de "Shrek" e o
respeitado Ennio Torresan foi o responsável pelo storyboard de
"Madagascar", da empresa de Steven Spielberg. Cabe ressaltar
aqui que Ennio Torresan também é diretor, roteirista e
storyborder no conhecido desenho "Bob Esponja". Pois é,
nossos profissionais são fantásticos, são reconhecidos
internacionalmente e também precisam ter espaço aqui no
nosso país para produzir filmes e programas de reconhecimento
internacional.
Os anos
de 2004 e 2005, mesmo com os programas do governo, editais públicos,
festivais, mostras e seminários de apoio à produção
nacional, vêm apresentando queda nos números de bilheteria..Dos
21% do mercado conquistado na bilheteria em 2003, passou para 14,5%
em 2004 e deve ficar em torno de 10% em 2005, segundo previsão
de Sérgio de Sá Leitão, assessor do Ministro da
Cultura. Se os investimentos no audiovisual aumentaram, então
qual a razão dessa queda na bilheteria? O setor precisa ser mais
unido e buscar entender esse momento em conjunto.
O investimento
na produção audiovisual gera emprego, renda e divisas
para o país. Temos que encontrar uma forma de baratear o valor
do ingresso e fortalecer os distribuidores e exibidores nacionais, já
que não é todo produtor que tem condições
de arcar com os custos altíssimos das distribuidoras e também
da divulgação. Ainda predomina nas grandes salas de cinema,
nas salas ditas comerciais, a exibição de grandes produções
estrangeiras, hollywoodianas. Se quisermos ver um filme nacional, temos
que procurar circuitos alternativos. Quem passa por esse drama agora
é o ator Paulo Betti, com seu filme "Cafundó",
que levou anos pra sair do papel e tornar-se uma realidade. Ele não
consegue encontrar uma distribuidora que queira trabalhar o filme. Disse
ele que a Columbia ficou cinco meses com a proposta em mãos e
nem sequer deu retorno. Como ele, existem muitos outros produtores (renomados
ou não) correndo atrás do sonho de ver seu filme exibido
nas telas do cinema, ser assistido e aplaudido por milhões de
pessoas. Então, vamos ao cinema moçada, vamos prestigiar
nosso cinema nacional. Super abraço!
Ana
Paula Pontes