Nos próximos dias deverão entrar em vigor as novas normas
da Lei Rouanet, a lei federal 8313/91 de incentivo à Cultura.
A Lei Rouanet, que permite deduções do Imposto de Renda
para os investidores em projetos culturais, vigora desde 1991, sem mudanças.
Desde que assumiu o Ministério da Cultura, o músico Gilberto
Gil se comprometeu em fazer alterações, atendendo à
solicitação de produtores e gestores culturais, artistas
e entidades governamentais e não governamentais.
Em
2003 o Ministério da Cultura, por meio do programa Cultura
para Todos, realizou debates em praticamente todos os estados para
ouvir as propostas e discutir um novo modelo de financiamento público
da Cultura. Segundo o ministro Gilberto Gil, o ideal seria uma nova
lei de incentivo à Cultura, já que as propostas de mudança
são inúmeras, mas de imediato ele propõe alterações
emergenciais que deverão entrar em vigor, por meio de um decreto
a ser assinado pelo presidente Lula, provavelmente ainda no mês
de maio.
A
intenção de Gilberto Gil, de imediato, é promover
a regionalização e a popularização da Cultura.
Para isto, o ministério propõe a criação
de editais que permitem que várias empresas patrocinem projetos
com dificuldades na captação de recursos. O edital também
prevê uma premiação para as empresas que mais investirem
em Cultura no país. O intuito é criar um mecanismo facilitador
para captação de recursos, já que, de acordo com
o Ministério da Cultura, os projetos pequenos ou do interior
acabam sendo engolidos pelos projetos das capitais. O que não
deixa de ser verdade. Digo mais, normalmente as empresas optam em patrocinar
projetos de artistas globais, de renome, deixando de lado projetos interessantíssimos,
de grande alcance social e com um retorno mais garantido.
Atenção
pessoal de artes cênicas. Outra medida constante no decreto irá
permitir a apresentação de projetos para a comercialização
da bilheteria dos espetáculos. A empresa que comprar os ingressos
poderá abater o valor investido no imposto de renda devido. O
ministério entende que essa medida irá contribuir para
a realização das peças teatrais; irá causar
um barateamento no valor dos ingressos e, conseqüentemente, garantir
que um número maior de pessoas tenha acesso ao teatro, aos bens
culturais produzidos no Brasil.
Porém,
uma mudança não vem agradando muito às empresas
que mantém institutos culturais próprios. Pelo decreto,
somente 15% dos custos com a administração/manutenção
do instituto cultural poderá ser abatido no imposto de renda.
Hoje esse percentual chega a ser de 90%, fazendo com que a empresa destine
o IR devido para o instituto que leva o seu nome, está sob seu
domínio, e invista muito pouco ou quase nada em projetos culturais
alternativos.
Fico
feliz com as mudanças propostas, como produtora cultural e também
como uma consumidora de Cultura. É inadmissível você
pagar R$ 30, R$ 40 para assistir uma peça, sendo ela patrocinada
pela Lei Rouanet. Também fico feliz, pois vejo que depois de
anos algo vem sendo feito para melhorar o acesso à Cultura em
nosso país. Participei dos debates promovidos pelo programa Cultura
para Todos e tinha medo que nada saísse do papel. As mudanças
são mínimas? São sim, mas pelo menos foi dada a
largada para que reformas mais profundas possam ser feitas em breve.
O
ministério da Cultura, sob o comando de Gilberto Gil, está
trabalhando, cumprindo suas metas, inclusive de divulgar as leis de
incentivo e aumentar o investimento em Cultura. Em 2004 foram captados
R$ 466 milhões para investimento em projetos culturais, 10% a
mais que 2003, beneficiando 1898 projetos. Embora tenha aumentado o
número de beneficiados, ainda é pouco perto do número
de projetos apresentados e que não são realizados por
falta de patrocínio. Somente 2% do total de empresas existentes
no país com potencial para investir tomam a iniciativa de abraçar
um projeto cultural, ou seja, das 190 mil empresas, que têm como
base de apuração o lucro real, apenas quatro mil apóiam
a Cultura. Acredito que reverteremos esse quadro. Os empresários
vão enxergar os benefícios de se investir em Cultura.
Super abraço,
Ana
Paula Pontes