Os empresários e a Cultura


"A transformação da sociedade brasileira se dará, sem dúvida, pela Cultura".
Leonardo Brant

Investimento em Cultura. Esse é um tema muito contundente e que, felizmente, vem sendo discutido com maior intensidade pela sociedade, principalmente pela classe empresarial. A cada dia que passa fica mais evidente que a Cultura faz parte do crescimento e do desenvolvimento de um país. É essencial e não pode ficar relegada a esmolas. Infelizmente é assim que artistas, produtores e idealizadores de projetos se sentem quando pedem apoio: verdadeiros pedintes.

Na verdade, quando existe o investimento em Cultura o artista ganha, a comunidade ganha e o investidor ganha mais ainda. Dia desses, Jô Soares entrevistou em seu programa um produtor cultural e frisou muito bem essa condição. Além de toda a valorização da marca e de despertar a simpatia do cidadão, o patrocinador ainda pode, quando investe num projeto cultural por meio de leis de incentivo fiscal, usufruir da mídia. Jô Soares disse também que faz questão de divulgar os nomes dos patrocinadores de eventos culturais, sejam eles espetáculos teatrais, musicais ou de dança por entender que estas empresas estão contribuindo com a arte, além de gerar emprego e renda para o país.

Mas como fazer com que os empresários entendam o quanto é bom investir em Cultura? Muitos empresários desconhecem os artistas e os projetos existentes em sua cidade e que beneficiam diretamente a comunidade na qual a empresa está inserida.Desconhecem também as leis de incentivo à cultura e como fazer uso delas.

Tive o privilégio, o orgulho mesmo, de ver o Tambor Menino, projeto da ONG Arte de Vencer com sede no Jardim dos Lírios, em Americana, fazer o encerramento do Fórum Cultural Mundial, que aconteceu em São Paulo, no início do mês de julho. Foi emocionante quando, naquele palco montado no Anhembi, o apresentador disse: "Agora, para vocês, Tambor Menino, esse grupo que vem de Americana mostrar a sua arte". Fiquei com vontade de gritar: "Hei, sou de Americana, a cidade desse pessoal aí". Quando começaram a tocar e dançar, aquele Anhembi se movimentava num ritmo só, no ritmo dos tambores. O Tambor Menino caminhou pelo Anhembi e aquele pessoal seguindo atrás, dançando... Só estando lá mesmo... Os fotógrafos, admirados, procurando o melhor ângulo para fotografar aquelas crianças e jovens tocando, cantando e dançando o maracatu.

Mas foi uma luta conseguir apoio para ir até São Paulo e fazer esse show que tão bem fez às crianças participantes do projeto e para todas aquelas pessoas que estavam lá, no Anhembi. Foi preciso pedir ônibus para um, lanche para outro, suco para outro.Felizmente o grupo encontrou colaboradores, mas não foi nada fácil. Parabéns àqueles que ajudaram. Não quero aqui, de forma alguma, afirmar que essa é uma responsabilidade da iniciativa privada. A Cultura, como diz o escritor e consultor de empresas Leonardo Brant, "é questão de Estado". Mas, infelizmente, o poder público destina uma verba insignificante para manter a Cultura e a arte. Diante dessa realidade, a sociedade precisa buscar parceiros (iniciativa privada) para a sobrevivência da Cultura. E o Estado? O Estado oferece como contrapartida as leis de incentivo, ou seja, mecanismos para financiamento da Cultura.

É evidente que o Estado poderia fazer muito mais pela nossa Cultura, mas como não podemos, ainda, contar com esse incentivo maior, vamos procurar fazer uso dos incentivos existentes para manter viva a nossa identidade, a nossa Cultura. Seja você também um parceiro da arte.Invista em Cultura!

Ana Paula Pontes

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