Cidadania corporativa

Outro dia tive o privilégio de participar de um encontro realizado pela Ciesp-Americana sobre responsabilidade social. Logo de início o diretor da entidade citou um ditado popular que deu prosseguimento a toda tônica a ser discutida naquele dia: "Se o malandro soubesse o quanto ele ganha sendo honesto, ele seria honesto só por malandragem". Fazendo uso desse ditado, o diretor emendou: "se o empresário soubesse o quanto ele lucra investindo em responsabilidade social, ele investiria só para ter lucro".

E isso é fato. Muitos empresários entendem que aplicar recursos em responsabilidade social significa gastos e não investimento que beneficiará uma comunidade e, principalmente, a própria empresa e seus colaboradores. Vejamos: uma pesquisa feita com 25 mil pessoas, em 23 países, mostrou que 60% dos entrevistados formam suas opiniões a respeito de uma determinada empresa, observando suas ações na comunidade. Uma outra pesquisa revelou que as organizações que desenvolvem programas voltados à comunidade, geralmente têm equipes comprometidas e motivadas. E ainda, que a média de satisfação dos profissionais com a responsabilidade social de suas empresas, saltou de 73% em 2001 para 84% em 2003. Os colaboradores enchem o peito de orgulho para declarar que a empresa lhe dá a oportunidade de participar de programas sociais e que a marca para a qual trabalham tem prestígio por investir na comunidade.

Diante desses resultados, podemos concluir que direcionar práticas em ações de responsabilidade social não é somente uma questão mercadológica para as empresas e sim de uma boa convivência com os colaboradores e uma forma de consolidar a imagem da empresa na comunidade.

Neste mesmo encontro na Ciesp, algumas empresas fizeram apresentações de casos e enfatizaram a importância do investimento em responsabilidade social. Hoje, existe uma norma internacional, a SA 8.000 (social accountability), na qual as empresas, além de um balanço financeiro, devem também se preocupar com o balanço social (investimento em ações que visam o bem-estar do público interno e da comunidade). Uma das empresas participantes do encontro enfatizou que para ser um fornecedor dela, esse balanço social é solicitado e visto como quesito necessário para a formalização de uma parceria.

Podemos dizer então que o investimento em responsabilidade social tornou-se uma questão de estratégia para uma organização que não quer ficar de fora de um mercado globalizado e cada vez mais exigente e competitivo. E então, qual é o seu relacionamento com a sua comunidade?

Ana Paula Pontes

<volta>