"Não
venha nos pedir de graça o que temos para vender."
Cacilda Becker
Outro dia
me deparei com essa frase bem na entrada da agência de um amigo.
Essa declaração, inclusive, está numa moldura,
bem à vista de todos que entram no local. Fiquei pensando: bom,
o meu amigo também deve enfrentar o que eu e muitas outras pessoas
que trabalham com a arte, com a criação, com a cultura
enfrentamos: a falta de valorização do trabalho, e porque
não dizer da arte, da arte do fazer, do sentir, do criar.
Para muitos,
criar é simples, não custa nada. Também não
custa nada você cantar numa festa de um amigo do amigo, ou contar
uma história ou encenar uma peça no aniversário
do filho do vizinho, ou fazer uma palestra para amigos e clientes, enfim,
tudo que vem de dentro, da mente, do sentir é simples, não
custa nada.
E por que
é tão difícil dizer não para
certos pedidos? Artistas, produtores, criadores, prestadores de serviço
precisam aprender a dizer não e a valorizar mais
as idéias, as criações. Quantas vezes já
recebemos um não? E esse não,
naquele momento, ter contribuído para o nosso crescimento.
Quando
prestamos um serviço e entregamos a quem nos pediu tudo parece
simples, fácil, depois de pronto, é claro. Chegamos a
ouvir "Você vai cobrar tudo isso por isso"? Ou
pior, "se você quiser eu pago tanto. É pegar ou
largar". Infelizmente acontece de alguns ainda estipularem
um valor para aquilo que você faz. É para tirar qualquer
um do sério.
O que precisamos
é, na verdade, fazer com que as pessoas entendam os artistas
ou mesmo os produtores, criadores, como pessoas que precisam sobreviver,
e de arte, da criação. Comem, bebem, consomem como outra
pessoa qualquer e precisam cobrar pelo seu trabalho, pela sua arte.
As distorções existem e depende de cada um de nós
ter a iniciativa de cobrar o valor que de fato consideramos ser o merecido
por aquilo que fazemos.
No segmento
cultural, especificamente, ainda vejo a necessidade de buscarmos a capacitação
dos profissionais envolvidos, por meio de palestras, seminários
e fóruns, para que tenhamos essa capacidade de planejar e gerir
o que produzimos, criamos. No próximo artigo quero falar sobre
a importância do planejamento, principalmente por parte das empresas
que têm potencial para investir em Cultura.
É
isso aí então: temos que nos valorizar para sermos valorizados!
Até breve.
Ana
Paula Pontes