Planejar é preciso, inclusive na Cultura

"Correr mais depressa do que os outros pode parecer um bom indicador de eficiência, mas correr numa direção pré-determinada, rumo a um destino que já foi identificado e analisado, é mais eficaz". Edson Natale - Produtor Cultural do Instituto Itaú


O carnaval já passou, uma das mais admiradas e belas festas populares do país e do mundo. Nestas transmissões pela TV, o diretor e ator Jorge Fernando repetiu uma fala do carnavalesco Joãosinho Trinta de que "o carnaval é uma verdadeira ópera popular". E pensando bem é mesmo! Um grande espetáculo onde os protagonistas se transformam na avenida. Entre as belas imagens, uma cena marcante: integrantes da Velha-Guarda da Portela chorando, pois não puderam desfilar. O que aconteceu de fato?

O carnaval tem tudo a ver com o tema que iremos abordar neste artigo: planejamento. Grande parte das escolas de samba, principalmente do Rio e de São Paulo, já começou na quarta-feira de cinzas a pensar no que será exibido no próximo ano, ou seja, já teve início o planejamento para 2006: pesquisa, enredo, recursos e tantos outros detalhes que fazem a diferença ao adentrar na avenida do samba. Será que o episódio lamentável com a Portela foi uma fatalidade, um problema mecânico de última hora, ou faltou um planejamento adequado, no qual todas as possibilidades de erros e acertos são colocadas no papel para que ações sejam colocadas em práticas diante do inesperado?

Quando falamos em planejamento em Cultura é comum alguns reclamarem e até serem contra, pois acreditam que o "planejar" surte um efeito negativo sobre o "criar", ou seja, se você programar os acontecimentos vai interferir na criatividade, no sentir, sendo o mais correto deixar que tudo flua normalmente. Pensamento equivocado. Temos o exemplo do Jogo do Lixo que aconteceu em Americana. Uma idéia sensacional, mas que não teve o resultado esperado por ter sido realizado de afogadilho, sem um planejamento adequado que inclui custos, tempo, patrocínios etc.

Quando você tem em mãos uma idéia e quer transformá-la num projeto, é preciso pensar nela como se fosse gerar um filho: vou colocá-lo no mundo e cuidar de tudo para que ele sobreviva, cresça saudável e gere frutos. Mas para que tudo aconteça bem é preciso planejar e fazer o acompanhamento necessário, no seu devido tempo.

Planejar significa lidar com o futuro, com algo que ainda não temos acesso. Tudo pode se desenrolar não exatamente como prevemos, mas quando existe planejamento as possibilidades de acerto se multiplicam. Planejar é buscar a melhor forma de obter resultados positivos e promissores, quando etapas são estabelecidas, bem como custos, recursos, prazos, contingências, imprevistos, responsabilidades etc.

Planejamento cultural vale tanto para artistas e produtores, quanto para empresas que querem investir em cultura e também para o poder público. As empresas podem trabalhar com uma verba de patrocínio ou mesmo utilizar-se das leis de incentivo federal (isenção de IR) e municipal (isenção de ISSQN). Já o poder público, tem uma verba que é destinada para Cultura anualmente. Esse valor sempre é aprovado pela Câmara Municipal no final do ano que antecede a vigência da receita. Então, sabendo do valor que terá à sua disposição para o próximo ano, a Prefeitura e/ou a Secretaria de Cultura podem priorizar os investimentos em ações que já acontecem anualmente, como Festival de Teatro, *entre outros, e já procurar parceiros para os demais eventos que acontecerão no transcorrer do ano. Então tudo pode ser visto com antecedência. O que acontece normalmente é que batem à porta das empresas pedindo apoio quando falta apenas um mês para a realização do evento. Às vezes a empresa até gostaria de investir, mas naquele momento não tem os recursos disponíveis, pois a prioridade para aquele mês é investir, por exemplo, na compra de maquinário ou em um outro projeto.

No sul do país, planejar o investimento em Cultura já se tornou uma prática. As empresas fazem o patrocínio planejado: existe uma estimativa de recolhimento de IR devido e 4% desse valor a empresa já destina para um produto cultural, seja ele de uma ONG ou de um artista ou de um produtor cultural ou ainda eventos do município no qual ela está inserida.

Que bom se essa prática vigorasse aqui também, em Americana e região. Vamos trabalhar para isso! Caso queiram saber mais sobre algum assunto específico ligado à cultura ou produção cultural, escrevam. Super abraço,
Ana Paula

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